Capa de fevereiro: Presidente da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, Marcelindo Gruner está com os olhos na Assembleia Legislativa

Por: Priscilla Millnitz Pereira Foto: Marcelo Luis
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"ASSUMO A PRESIDÊNCIA NO MELHOR MOMENTO"

Eleito  com oito dos 11 votos para presidir a Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, Marcelindo Gruner (PTB) diz que o momento é de tranquilidade. Com a Casa colocada em ordem nos dois primeiros anos de mandato, é hora de investir em modernização, investir nas pessoas e reformas estruturais.

Em seu primeiro mandato como vereador, Marcelindo Gruner chega ao cargo de presidente da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul com a tranquilidade e a segurança de quem trabalha para a comunidade há 20 anos. Sua eleição também coincide com o bom momento na Casa de Leis, que teve as contas ajustadas nos últimos anos e vive um período de harmonia entre os pares. "Eu acredito que somos agentes da mudança que queremos. E esses bons resultados são frutos de uma Câmara renovada, onde a maioria dos eleitos está na primeira legislatura, mas já ocupa bons espaços e está mudando a cara do poder público", opina.

Para os meses que seguem Marcelindo já tem metas bem traçadas de trabalho. A primeira delas é dar sequência ao processo de modernização da Câmara iniciado pelo ex-presidente, Anderson Kassner. A expectativa é de que até a metade do ano todo o novo sistema esteja instalado, o que inclui novos equipamentos, um software moderno e um sistema de votação em plenário mais dinâmico.

Além de trazer eficiência para o Legislativo, o investimento em tecnologia irá gerar economia para o erário, com a diminuição considerável do uso de papel. Para exemplificar, ele conta que cada indicação elaborada por um parlamentar é feita em três vias. Ano passado foram protocoladas 1.800. Agora imagine isso somando as moções, projetos e demais documentos que circulam diariamente pela Casa? "O meio ambiente também agradece", reforça.

Com a digitalização dos trabalhos, despachar se tornará mais prático e rápido. "Queremos implantar também a assinatura digital. Assim o vereador não precisa necessariamente estar no gabinete para dar seguimento às matérias", explica ele, citando casos em que o parlamentar está em viagem ou até mesmo visitando comunidades.

Outra medida é reformar o prédio da Câmara. A regra geral ainda é conter gastos, mas a necessidade de algumas obras é iminente, segundo ele, por colocar em risco munícipes e políticos. "Um curso de água pluvial que passa embaixo do prédio está afetando a estrutura e precisa ser desviado. Não podemos permitir que o prédio caia em cima do povo", exagera. Ele salienta que o problema é antigo, mas que outras legislaturas fecharam os olhos para a situação.

Como o projeto de construir uma nova sede para o poder Legislativo foi totalmente abandonado, Marcelindo irá aproveitar a oportunidade para dar uma geral no prédio. Está prevista a troca de divisórias dos gabinetes, para melhorar a acústica e garantir privacidade; troca de janelas e pisos; melhorias nas instalações elétricas e até mesmo o investimento em energia alternativa. "Estamos em fase de orçamento, mas a ideia é instalar placas de energia solar em todo o prédio. É um custo que se paga em pouco tempo e garante muita economia depois", garante. A licitação é para ser aberta ainda neste mês.

Manter a harmonia é primordial

Para Marcelindo Gruner, manter a harmonia entre os vereadores é o maior desafio na presidência. "São muitos partidos, muitos interesses em jogo e é preciso saber conduzir isso", reflete. A princípio o clima é bom, mas dois projetos polêmicos devem dividir opiniões ao longo do ano: a nova licitação do transporte público e a "Escola sem Partido".

O primeiro ainda deve demorar um pouco para chegar na Casa, já que está sob judice por conta de divergências entre a Canarinho e a Prefeitura. No entanto, o presidente defende a necessidade de se discutir o assunto e oferecer um serviço de melhor qualidade para o jaraguaense. Segundo ele, depois que surgiram aplicativos como o Uber, todo mundo pensa duas vezes antes de pegar um ônibus. "Nosso transporte é caro e ineficiente. Em muitos casos, se for para uma família de quatro pessoas se deslocar, por exemplo, os aplicativos saem mais baratos e com muito mais conforto", reconhece.

Com a promessa de não deixar nada na gaveta neste ano, o projeto da 'Escola sem Partido' deve ser outro a dividir os parlamentares e mobilizar a comunidade. O projeto ainda não chegou do Executivo, mas ele já defende sua posição, sendo a favor da ideia e contra o que chama de doutrinação por parte dos professores. Marcelindo afirma que todos esses anos de 'sócio-comunismo' sob o governo petista precisam ser revertidos e as instituições de ensino devem apresentar aos estudantes todas as vertentes econômicas, citando como exemplo o capitalismo.

E caso os ânimos fiquem mais exaltados em meio a essas discussões, Marcelindo já pensou em uma solução. Pretende criar um Conselho de Ética para fiscalizar o comportamento dos vereadores. A ideia é estabelecer um padrão de conduta não só nas plenárias, evitando a falta de respeito entre os pares durante as sessões, mas também na forma como se expressam na sociedade, com punições para cada tipo de desrespeito ao conselho. O presidente da Câmara não deu mais detalhes sobre quais seriam esses padrões e formas de coibir aqueles que não o seguirem à risca.

Conhecimento adquirido por meio do voluntariado

Natural de Piçarras, mas morando aqui desde 1989, Marcelindo Gruner sempre participou ativamente da vida da comunidade através de Conselhos de Segurança, Associação de Pais e professores e Associação da Moradores do Rio Molha, onde permanece como vice presidente. "Todos que desejam entrar para a política deveriam trabalhar voluntariamente antes, assim saberiam o que a comunidade espera deles e como o dinheiro público pode ser investido de maneira mais adequada", garante, defendendo a gestão como uma das principais qualidades de quem deseja se tornar político.

Foi isso que fez a Câmara de Vereadores se tornar a mais enxuta do Estado e tal cautela no governar deveria ser melhor compreendida pela população. "Um mau gestor pode ser tão prejudicial quanto um corrupto", afirma.

Liderança nata, a entrada no meio político veio naturalmente. A primeira filiação ocorreu no início dos anos 2000, mas só em 2012 decidiu se lançar para uma vaga na Câmara. As 1.023 pessoas que confiaram em suas propostas lhe renderam a segunda suplência. Em 2016, com 2.092 votos, foi o quarto mais votado e hoje se esforça para não decepcionar essas pessoas e conquistar aquelas que por algum motivo optaram por outro candidato. "No momento estou focado em fazer um bom trabalho, sempre mantendo minha conduta, moral e representação", declara. Ele não abandona seu bairro, mas frisa que assumiu uma cadeira no Legislativo para trabalhar por toda a cidade e assim tem feito.

Conservador, segue seus trabalhos no gabinete em paralelo à presidência e é dele o projeto que pretende criar a "Semana dos pais" e "Semana das mães" nas escolas no lugar do atual "Dia da família". Marcelindo admite adorar um polêmica, mas conta que a própria comunidade que o elegeu espera dele esse posicionamento. "As pessoas precisam voltar a dar valor para as pequenas coisas, nossa sociedade está se deteriorando", diz.

Outro projeto menos polêmico é o que dispõe sobre maus tratos e abandono animal, que vem sendo lapidado junto a Organizações Não Governamentais (Ong's) que atuam na cidade e que também deve ser apreciado neste ano.

Futuro incerto na política

Marcelindo não gosta de fazer planos na política, nem fala em reeleição. Inclusive ao longo desses dois anos atuando na Câmara, não deixou seu emprego de lado. Técnico em agrícola, ele desempenha a função de inspetor agropecuário na prefeitura há 18 anos e prioriza sua carreira profissional. "A política não pode ser o ganha pão de ninguém. Hoje estamos aqui, mas não sabemos o dia de amanhã. A política deve ser algo a mais, e esperar que ela seja uma forma de sustento é o primeiro passo que leva a fazer coisas erradas", avalia.

Paradoxalmente à afirmação de que não tem pretensões políticas, ele não esconde o sonho de se tornar deputado estadual. A família apoia a posição do pai e ele afirma que a esposa e os três filhos são seus maiores fiscais. "Levo alguns puxões de orelha", diverte-se e prossegue: "eles têm muito senso crítico. Dois deles foram vereadores mirins e também são muito engajados. Eles não me deixam errar".

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