Artista plástica jaraguaense Regina Bittencourt compartilha a sua experiência no universo das artes

Por: Eduardo Klemtz Foto: Karina Fassina
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A intensa paixão pela arte

Regina Bittencourt é vice-presidente da Associação de Artistas Plásticos de Jaraguá do Sul, e revela em bate-papo exclusivo com a Revista Nossa tudo sobre sua jornada cultural

Ela tem a arte como sua paixão. Regina Bittencourt nasceu em Blumenau há sessenta e quatro anos, onde morou até 1976. Seu primeiro trabalho foi como professora, no Colégio Sagrada Família. Ela afirma que viveu anos muito felizes no colégio. Regina também cursou a faculdade de Letras na FURB, mas não conclui, por influência do seu pai, que insistiu pela participação da mesma em um concurso para o Banco do Brasil. Hoje, a artista é aposentada e trabalha como vice-presidente da AJAP, Associação de Artistas Plásticos de Jaraguá do Sul e integra o Conselho de Cultura de Jaraguá do Sul. Em um bate-papo exclusivo, conhecemos um pouco mais dessa personalidade jaraguaense que é admirada por artistas regionais e até mesmo nacionais.

Revista Nossa: Como foi o início de sua carreira artística na região? Quando é que começou o interesse pelo que você faz?
Regina: Meu interesse por arte iniciou por volta dos meus quinze anos, ainda em Blumenau. Sempre gostei de desenhar e por incentivo de uma amiga comprei tintas e a minha primeira tela. E aí começaram as minhas experiências em pintura à óleo. Logo fiz aulas com o pintor alemão Ludwig Emmerich que foi essencial neste período. O desenho sempre me encantou. Iniciei sozinha, como autodidata, meus primeiros desenhos com nanquim, os bicos de pena, em preto e branco. Numa fase de grande inquietude pessoal, joguei toda minha alma nestas produções e tomei coragem para apresentar meus trabalhos ao poeta e dono da Galeria Açu- Açu, Lindolf Bell. E para minha felicidade ele ficou impressionado, e foi meu grande incentivador. Publicou desenhos no encarte cultural do Jornal de Santa Catarina aos domingos, para tornar meu nome conhecido. Enfim, eu estava produzindo bastante, mas lecionando também. A vontade de cursar Belas Artes era um sonho, mas longe da realidade. Então veio o concurso para o BB, que mudou minha rota, mas trouxe estabilidade financeira. Trabalhei em Tangará, oeste do estado, e logo vim para Jaraguá do Sul. Durante este período de trabalho até me aposentar , participei de dois Salões Nacionais de Pintura, promovidos pela Federação Nacional de AABBs em 1981 e 1985, em Fortaleza e Brasília, tendo minhas obras adquiridas pela Direção Geral do BB, pinturas à óleo. Aqui em Jaraguá participei em 1987 do Leilão de Artes promovido pela Galeria Lascaux de Joinville e Galeria Açu-Açu de Blumenau, com dois desenhos bico de pena, também adquiridos no evento. Após a minha aposentadoria retomei aulas de pintura com a artista plástica Arlete Schwedler e Ana Darli. Voltei a pensar em pintura novamente, produzir e vibrar por isto. A arte tem certa magia. Blumenau era uma cidade que oferecia muita cultura com exposições, shows, eventos e havia já nesta época grandes nomes nas artes, como Elke Hering Bell, Rubens Oestroem, Guido Heuer e muitos outros talentos. As idéias fervilhavam. E ao retomar as aulas , tudo isto do passado voltou como que renascido. No final de 2015 tive um grande encontro pessoal, conheci a presidente da AJAP(Associação de Artistas Plásticos de Jaraguá do Sul) Cristina Pretti, ao visitar uma exposição. Ingressei na AJAP e hoje sou vice-presidente. E aí estava respirando arte, muito feliz! Participei de exposições coletivas e em dezembro de 2017 fiz a minha primeira exposição individual intitulada " EntreCores" , pois foi do preto e branco em bico de pena em nanquim, até a pintura coloridíssima com tinta acrílica, com a qual tive a o primeiro contato e foi uma experiência apaixonante. Foi um momento em que pude mostrar o meu trabalho e realmente voltar com intensidade a fazer aquilo que amo de fato.

Revista Nossa: Qual é o tipo de arte que você produz?
Regina: Meu trabalho é bastante diverso: são paisagens, figurativos, abstratos, pintura e desenho. Creio muito no processo intuitivo. A contemplação do nosso redor é uma fonte inesgotável de inspiração. Falo das coisas simples que nos emocionam, nos impulsionam em diferentes momentos da vida. Gosto muito de trabalhar com telas grandes, onde me sinto livre, podendo usar pincéis, espátulas e até mesmo as mãos em movimentos fortes e amplos.

Revista Nossa: O que é ser um artista autêntico?
Regina: Um artista autêntico é aquele que acredita naquilo que faz. E faz com amor e com o coração. Ele tem talento, tem seu estilo, suas fases em seu caminho. Ele não se sujeita a qualquer mudança sem propósito porque a mídia está impondo um novo padrão. Ele é mutante, sim, mas de forma coerente com ele mesmo. Acredito em trabalho, em produção: este é o verdadeiro artista.

Revista Nossa: Quais são as suas principais influências?
Regina: Minhas influências e inspirações vieram dos livros de arte, de filmes, de todas estas obras magníficas dos grandes mestres destes artistas geniais que a humanidade conhece. Mas alguns com certeza me influenciaram no processo criativo de forma mais intensa. Nomes como Matisse, Kandinsky, Picasso, Dali, Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Tarsila do Amaral, os catarinenses Rodrigo e Martinho de Haro, Eli Heil estão entre inúmeros grandes artistas pelos quais tenho profunda admiração e são uma inspiração.

Revista Nossa: Qual o seu projeto favorito?
Regina: O projeto que me trouxe muita alegria foi a exposição "EntreCores" , quando produzi quatorze trabalhos inéditos. E onde pintei com tinta acrílica pela primeira vez. E foi apaixonante! E sob a orientação da minha curadora Cristina Pretti fizemos uma grande instalação com 263 imagens, o dobro de um postal, de detalhes das obras em bico de pena, fotografados em preto e branco. Em cada imagem colori um detalhe e escrevi uma frase ou palavras soltas retiradas dos meus poemas e textos. Este trabalho ficou belíssimo: as imagens fixadas em fios de nylon, desciam do teto e fixadas no chão como uma grande cortina. Foi um período de muita adrenalina! Eu dormia, acordava , vivia intensamente neste mar de idéias e desejos. Quanto mais eu produzia, mais queria fazer!

Revista Nossa: Hoje, qualquer pessoa pode ser um artista?
Regina:  Precisa ter talento, produzir, se superar, fazer cursos, oficinas, ler muito, ampliar seus recursos, visitar exposições, conhecer outros artistas, querer e acreditar em si mesmo. E as ferramentas digitais estão aí para ajudar. Ser artista não é algo lúdico, um hobby ou algo meio romântico. O artista precisa trabalhar duro, fazer e repetir muitas vezes até chegar naquilo que deseja mostrar. Isto requer treino paciência e trabalho diário.

Revista Nossa: O que pretende fazer no futuro?
Regina: Para o próximo ano tenho alguns projetos em mente, ainda amadurecendo. E algumas idéias que têm surgido num trabalho de parceria, que ampliaria o uso de nossas produções, por assim dizer. Fazer oficinas, conhecer novas técnicas e materiais e continuar a visitar muitas exposições, sempre!

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